segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sobre a carga policial em São Bento



Secção AIT-SP - Lisboa, comunicados, Greve Geral, repressão

No dia 14 de Novembro, na maior manifestação em dia de greve geral, os chefes da polícia, o ministro da administração interna e outros políticos tentaram justificar a carga policial sobre os manifestantes em São Bento, dizendo que as "forças de segurança" tinham sido muito tolerantes porque durante mais de uma hora “com serenidade e firmeza” levaram com pedras e garrafas atiradas por “meia dúzia de profissionais da provocação”.

Houve várias pessoas a atirar pedras e outros objectos ao cordão policial que defendia o Parlamento e não só eram bem mais do que meia dúzia, como muitos outros permaneceram por ali bastante tempo, sem arredar pé.

Também é verdade que houve uma carga violentíssima sobre os manifestantes, homens, mulheres, idosos, crianças, tudo o que se mexia foi varrido, atirado ao chão, ameaçado com gritos e balas de borracha. Houve ainda uma perseguição por várias ruas, onde se prenderam pessoas indiscriminadamente. Dezenas de pessoas foram identificadas sem saberem porquê. Nas esquadras não lhes foi dada a possibilidade de falar com um advogado, ir ao wc ou até de receber assistência médica.

Sobre a repressão policial temos apenas a dizer o seguinte: violência não é atirar pedras contra o corpo de intervenção, protegido com os seus fatos especiais, capacetes, escudos, cassetetes e armas. Violência não é a revolta de quem trabalha e não tem dinheiro suficiente para viver, de quem nem trabalho tem e desespera à procura, de quem passa fome, dos idosos que vêem as suas pensões reduzidas, de quem não explora ninguém e vive uma vida inteira a ser explorado pelos mesmos de sempre: políticos, banqueiros e empresários. Violência não é atacar a polícia quando esta defende o sistema ao qual pertence: o Estado, esse mesmo Estado que concedeu um aumento salarial de 10% para as forças de intervenção enquanto milhares de pessoas vivem em pobreza e outros para lá caminham.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Comunicado do Sov - Porto /AIT-sp


      14 Nov 2012  VIVA A GREVE GERAL !                      

Saudamos todos os trabalhadores e trabalhadoras que ousam participar nesta GREVE GERAL, independentemente das suas diferentes opiniões, tendências e preferências ideológicas, políticas ou religiosas. É o  nosso FUTURO, a nossa sobrevivência e a dos nossos,  que está em causa e não a importância maior
ou menor do partido A ,B ou C.!

A UNIDADE NA LUTA que precisamos passa, não pelo objetivo da “mudança das moscas” num ou outro governo mas sim pela nossa própria organização, de forma a ENFRENTARMOS OS PODERES ECONÓMICOS E POLÍTICOS, de forma a sermos nós próprios , trabalhadores e trabalhadoras, com ou sem trabalho, imigrantes e nacionais, reformados ou jovens, um autêntico CONTRA-PODER contra quem nos quer escravos miseráveis e obedientes. É esse contrapoder autónomo, dos trabalhadores e do povo que todos ELE$ temem! 

 É necessário estar consciente de que esta GREVE GERAL não é NEM DE QUALQUER PARTIDO, NEM DE QUALQUER DIRECÇÃO OU ORGANIZAÇÃO SINDICAL OFICIAL! ELA é DE TODO O POVO TRABALHADOR COM OU SEM TRABALHO, que está a ser sacrificado, para que o Estado salve os interesses do capital financeiro (bancos), dos grandes empresários e dos políticos corruptos do Estado!

O Sindicato de Ofícios Vários do Porto da AIT-SP (Associação Internacional dos Trabalhadores-Secção Portuguesa) sabe o que custa PERDER UM DIA DE TRABALHO para quem se vê cada vez mais “apertado” ( baixos salários, cortes nos direitos laborais e sociais, etc.) para garantir a vida a si e aos seus.  Mas também sabe que, ou hoje enfrentamos TAMBÉM com esta GREVE GERAL os vampiros do Estado e do patronato ou eles irão cada vez mais longe, explorando, roubando direitos, aumentando impostos e preços dos “serviços públicos” - e que  amanhã ainda poderemos acordar, como muita gente já, SEM TRABALHO, SEM CASA E SEM PRESENTE NEM FUTURO!

 Para além de ser necessário mostrar aos “cães grandes” do/s podere/s que SEM AS TRABALHADORAS E TRABALHADORES NADA FUNCIONA, esta greve é também um perigo para muitos políticos, gestores e pretendentes a chefes do trabalho dos outros, pois poderá também mostrar que a ÚNICA SOLUÇÃO para a situação atual não está em substituir uns patrões e governantes por outros mas sim em OS TRABALHADORES TOMAREM EM MÃOS A ECONOMIA DAS EMPRESAS E DO/S PAÍS/ES, num novo sistema de cooperativismo em autogestão e economia alternativa, sem exploradores nem explorados e defendendo o ambiente que o capitalismo destrói! Chamamos a isso COMUNISMO LIBERTÁRIO.

E DEPOIS DESTA GREVE GERAL?  

“A luta continua”, pois!... Mas ela não se pode ficar por seguir caminhos que já não resultam, apontados por quem apenas está interessado em CONSERVAR A ATUAL SOCIEDADE DE DESIGUALDADE E DE MISÉRIA e em vender aos poderes o seu  papel de “representante dos trabalhadores”!
“A luta continua, pois!... Mas não bastará paralisar ou mesmo ocupar uma empresa SEM QUE OS TRABALHADORES tomem aquilo que afinal é seu e o ponham a funcionar PARA SI e para o resto da comunidade! (lembremos o caso da“Afonsinho” em Arcos de Valdevez!).

 É necessário que CADA GREVE, CADA PROTESTO e CADA LUTA, causem MAIS CUSTOS aos meliantes do Estado e do patronato e  MENOS CUSTOS aos trabalhadores e ao povo:- GREVES DE ZELO (execução minuciosa das várias tarefas), -GREVES INTERMITENTES (que alterna horários de trabalho e dias diferentes ao longo da semana), -GREVES TROMBOSE  (uma ou poucas horas de cada vez em cada secção diferente mas que leva ao estrangulamento dos serviços), entre outras formas  de ação direta dos trabalhadores, como o boicote e a sabotagem. Claro que nada disto está “regulamentado” pelas leis dos Estados…Mas ou tudo isto se aplica urgentemente com a convicção da sua LEGITIMIDADE , ou continuarão os abusos atuais dos governos, do patronato e das suas leis!

É URGENTE informarmo-nos, prepararmo-nos, organizarmo-nos nas empresas e, nos plenários, assembleias sindicais,  assembleias de bairro,  propormos e decidirmos objetivos e formas de luta mais eficazes.
Apontar para objetivos como os dos nossos companheiros espanhóis da CNT- Confederación Nacional del Trabajo (também em greve geral neste dia) : semana de 30 h. sem redução de salários, não às horas extras –contra o desemprego,  Salários, subsídios de desemprego, apoios sociais, que deem para não morrer de fome, NENHUM trabalho sem ser dignamente pago!  Ocupação, controle e autogestão das empresas pelos trabalhadores!...

VIVA A GREVE GERAL – A NOSSA LUTA É INTERNACIONAL! 
                        ANARCO-SINDICAL-:CONTRA O ESTADO E O CAPITAL!
SEM AUTO-GESTÃO NÃO HÁ SOLUÇÃO!   DEMOCRACIA DIRETA-ACÇÃO DIRETA!
NEM MELIANTES, NEM REPRESENTANTES: AÇÃO DIRETA POPULAR!                       
PELA IGUALDADE, MUDAR ESTA SOCIEDADE!
                                                                                          
 AIT-SP /SOV-Porto  mail: <sovaitporto@gmail.com >        
                            site: http://sovaitporto.blogspot.pt/
                                                                                                  
                            telef.(pf): 223324001 - 961449268
                                                  

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

GREVE GERAL- 14 DE NOVEMBRO


Espanha e Portugal: os mesmos roubos, a mesma luta!

A AIT-SP e a CNT-AIT apelam conjuntamente à participação de todos os trabalhadores ibéricos, com ou sem trabalho, na greve geral de 14 de Novembro, porque em ambos os países:
- governos e patronato recorrem a medidas de austeridade com o pretexto do combate à “crise”, que são autênticos roubos e intensificação da exploração da classe trabalhadora e aos sectores da população mais fragilizados;
- os governos sobem os impostos aos trabalhadores, diminuem-lhes os salários e reduzem direitos conquistados no passado com as suas lutas;
- os governos cortam nas pensões, nos subsídios de desemprego e nos vários apoios sociais, pagos de antemão pelos trabalhadores com os seus descontos, passando-se o mesmo tanto na saúde como na educação, em benefício sempre dos mesmos: o capital financeiro e o patronato em geral;
- os bancos recebem apoio financeiro do Estado enquanto as pessoas são obrigadas a entregar as suas casas aos bancos; o desemprego atinge mais de cinco milhões de pessoas em Espanha e cerca de um milhão em Portugal e a maioria da população enfrenta diariamente uma vida de pobreza e exploração;
- a economia capitalista e o Estado favorecerão sempre o patronato e os ricos, porém são os trabalhadores os verdadeiros produtores da riqueza social.
Somente a classe trabalhadora tem a capacidade de paralisar a economia de forma a fazer com que os governos cedam aos interesses da população explorada e oprimida. Para isso temos de ser capazes de ir mais além de paragens de 24 horas isoladas no tempo, mais além da paralisação pontual da actividade nas indústrias e sectores tradicionais, de encontrar formas de interromper todo o processo de produção e consumo, de incorporar na mobilização o conjunto da classe trabalhadora, por mais precarizada e dividida que esta esteja. Ganhar a capacidade de fazer o maior dano possível aos interesses económicos da elite empresarial e financeira é o objectivo principal da greve geral.
A greve geral deve também ser um passo para a autogestão, ou seja, para consciencialização de que a classe trabalhadora possui a capacidade para recuperar o controlo sobre a economia e para repartir com justiça a riqueza produzida, através de processos de participação directa e assembleária.
A AIT-SP e a CNT-AIT, como organizações anarco-sindicalistas que são, praticam um sindicalismo independente e revolucionário, de acção directa e apoio-mútuo, rejeitando a colaboração de classes e qualquer apoio do Estado e do capitalismo. Participamos na jornada de mobilização internacional de 14 de Novembro juntamente com as demais secções da Associação Internacional dos Trabalhadores, que luta pela construção de uma sociedade livre e igualitária, onde todos possam viver com dignidade.
Por uma greve geral por tempo indeterminado!
Pela auto-organização e auto-emancipação dos trabalhadores!


CNT-AIT

Confederación Nacional del Trabajo
     C/Historiador Domínguez Ortíz, 7local
                         14002 Córdoba – España
                          spcc@cnt.es
                          http://www.cnt.es



AIT-SP
Associação Internacional dos Trabalhadores – Secção Portuguesa
Apartado 50029
1701-001 Lisboa - Portugal
    aitport@yahoo.com
                               http://ait-sp.blogspot.com

terça-feira, 30 de outubro de 2012

30 Out. GREVE TRABALHADORES da STCP- SOLIDARIEDADE!


Uma vez mais os trabalhadores da STCP (Porto) têm de recorrer à greve para fazer valer os seus direitos.
Neste caso, a fim de conseguirem reunir em plenário, discutirem e tomarem decisões sobre formas de luta para fazer face à “re-estruturação” decidida por gestores e governantes que pretende entregar parte dos serviços atuais a concessionários na área dos transportes coletivos, o que é chamado “Plano Estratégico dos Transportes”, fundindo STCP com a METRO , fazendo mais cortes salariais , redução de pagamentos de feriados e reduzindo postos de trabalho.
A ideia neste dia é após o plenário, na recolha de Francos, os trabalhadores seguirem em protesto até à sede da empresa na Torre das Antas.

Naturalmente que uma vez mais, uma certa imprensa “isenta e independente”” fará decerto entrevistas na rua com elementos da população do Porto que “condenam”os trabalhadores por mais uma greve nos transportes públicos… O que essa tal imprensa finge ignorar ( e parte do público utente não sabe decerto) é a forma como cada vez mais nesta empresa, os motoristas (entre outros trabalhadores) são alvo do uso e abuso das horas extras por parte das chefias, pondo com isso em risco muitas vezes a segurança dos próprios passageiros… O que também não saberão é o nº de processos de que os trabalhadores já têm sido alvo por protestarem contra as cada vez piores condições de trabalho na STCP – entre muitas outras vilanias e atropelos , aos quais não escapam no fim direta ou indiretamente os próprios utentes dos transportes e que são autores NÃO os trabalhadores mas sim a gestão e chefias da própria empresa.

TODO O APOIO ÀS LUTAS DOS TRABALHADORES DA STCP!
PELOS DIREITOS LABORAIS – NENHUM PASSO ATRÁS!
Trabalhadores e utentes – UNIDOS VENCEREMOS!
Não às privatizações dos serviços públicos! NÃO A MAIS AUMENTOS NOS PREÇOS DOS TRANSPORTES!
NEM PATRÃO NEM ESTADO LADRÃO!

JRP. (AIT-SP/SOV-Porto)

domingo, 21 de outubro de 2012

EU FIZ PARTE E NÃO ME PAGAM!

Como é quase público Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura deve milhões de euros a entidades e profissionais que contratou para executar os seus serviços culturais.


Uma grande quantidade de colectivos e pessoas aplicaram o seu tempo, meios e dinheiro para que os projectos fossem possíveis. Muitos deles até agora não foram recompensados de qualquer forma, outros apenas em parte. Muitas destas entidades não têm dinheiro em caixa que lhes permita sanar dividas que foram obrigados a contrair com trabalhadores e fornecedores para que os projectos fossem executados. Ficamos assim numa espiral de dividas que fragiliza ainda mais um sector já em risco!

A juntar às dificuldades financeiras têm surgido dezenas de casos de um tratamento desprezível por parte da organização. Desde recusa de assinar contratos até alteração de condições previamente contratadas. Muitos de nós, têm cedido às várias pressões por compreensivelmente estes trabalhos representarem uma bolsa de ar nesta apneia que é o nosso mercado de trabalho. Muitos de nós têm mantido o silêncio por medo de entrar em incumprimento, por medo de quebrar relação profissional, por medo de desafiar a grande instituição.

Estamos perante uma incrível falta de responsabilização por parte dos gestores e produtores de Guimarães 2012. Duas entidades em completo incumprimento profissional e moral para com os cidadãos. Duas entidades que se têm refugiado no silêncio, na recusa do diálogo. Aqueles que deveriam ser os primeiros a procurar soluções e formas de luta(o) ou dizer basta, são aqueles que apelam ao gratuito, ao amadorismo, a um retrocesso na profissionalização da criação artística.


Eu Fiz Parte e Não me Pagam é um movimento de profissionais que se sentem lesados moral e financeiramente com Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Este movimento representa não apenas os directamente envolvidos como todos os profissionais da área da cultura que se sentem identificados e solidários com a situação.


Estão todos convidados a fazer parte deste movimento. Podem juntar-se através do email < eufizparteenaomepagam@gmail.com > ou facebook http://www.facebook.com/pages/Eu-fiz-parte-e-não-me-pagam/  .O movimento pretende ser anónimo, pelo que nomes de instituições e profissionais não serão divulgados.
É fundamental o apoio de todo o sector cultural. Basta de ficarmos para o fim de todos os orçamentos! Guimarães 2012 é mais um dos mais altos exemplos do valor que se atribui à cultura e aos seus profissionais neste país!

A luta dos mineiros na África do Sul

Ler notícias em :

http://www.huffingtonpost.com/2012/09/10/south-africa-miners_n_1869755.html#slide=1495606



quarta-feira, 17 de outubro de 2012


Estivadores de Portugal:

A importância da nossa greve
Esclarecimento

Todos os dias os Portugueses são bombardeados com notícias sobre a greve nos portos cuja verdade fica perdida nos critérios editoriais da comunicação social.

Desde há largas semanas, os Estivadores estão em greve e durante este percurso têm desenvolvido variadas formas de luta. Actualmente, a “greve” dos Estivadores cinge-se aos sábados, domingos e feriados e dias úteis entre as 17 e as 08 do dia seguinte. Ou seja, cada estivador trabalha, afinal, o que trabalha cada português que ainda não está no desemprego: 8 horas por dia, 40 horas por semana.
Sabia que o ritmo de trabalho de um estivador chega a 16 e até 24 horas por dia? Sabia que nos portos se trabalha 24 horas por dia, 362 dias por ano?

Sabia que Portugal é dos poucos países da Europa onde os profissionais da estiva não têm direito a reforma antecipada por profissão de desgaste rápido?

Sabia que o trabalho na estiva é hoje extremamente especializado requerendo uma formação profissional exigente e sofisticada?

Sabia que devido aos equipamentos pesados envolvidos nas operações a nossa actividade, actualmente, não suporta amadorismos que conduzem, frequentemente, a acidentes mortais ou incapacitantes?