sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

TRABALHADORES DESPEDIDOS DO “BINGO”DO SALGUEIROS , NO PORTO, EM LUTA


 93 trabalhadoras e trabalhadores do Bingo do S.C.Salgueiros (onde já foi o cinema Trindade) no Porto, alguns com mais de vinte anos de serviço, foram “dispensados” (despedidos) e substituídos por trabalhadores mais jovens, com contratos a termo certo e com salários mais baixos.  No passado dia 15 de Dezembro, mais de uma trintena destas trabalhadoras e trabalhadores realizaram um primeiro protesto, em frente ao Bingo, no Porto, apoiados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte (CGTP) , protesto esse com o qual também se solidarizaram e no qual também estiveram presentes alguns elementos da AIT-SP /SOV-Porto.

 No comunicado à população e aos clientes então distribuído pelo SIND.TRAB.HOTELARIA do NORTE da CGTP, lia-se o seguinte:
“Somos trabalhadores do BINGO e fomos despedidos! 
O governo, com a conivência da direção do S.C.Salgueiros , decidiu encerrar a sala de jogo do bingo no dia 20 de Outubro de 2012 e mandar para o desemprego 93 trabalhadores.
O presidente do Salgueiros informou os trabalhadores naquela noite que estavam todos desempregados e que o Salgueiros não tinha dinheiro para pagar os direitos dos trabalhadores.
Contudo a sala de jogo do bingo do Salgueiros faturou, só em 2011, mais de 12 milhões de euros. Para onde foram os lucros?

Solidariedade com os trabalhadores das Artes e Culturas


SOLIDARIEDADE COM TRABALHADORES DAS ARTES E CULTURA!  CONTRA OS CALOTES DA “GUIMARÃES CAPITAL  EUROPEIA DA CULTURA”(ou do CALOTE?)

Terminou com pompa e circunstância no passado dia 22 de Dezembro esta série de eventos culturais. O pior –  que muito boa gente ignora e outra finge ignorar - é que várias dezenas de trabalhadores que deram o  seu melhor para o bom êxito destas iniciativas, nas áreas do teatro, da performance, dança, artes circenses, cinema, audiovisuais, etc., ficaram sem receber os devidos pagamentos por serviços prestados ao evento .
Já em Novembro grande parte destas trabalhadoras e trabalhadores, apoiados também por  activistas da AIT-SP do Porto e de Guimarães, tinham protestado, tendo na altura emitido e distribuído um comunicado em que denunciavam esta situação ao público de alguns destes espetáculos, em vários locais da cidade de Guimarães. Talvez em virtude desta ação, os responsáveis pelo evento  (entre eles a autarquia de Guimarães e a secretaria de estado da cultura), ganharam alguma vergonha na cara e adiantaram então uma parte do que contratualmente devem aos trabalhadores e trabalhadoras, continuando no entanto a dever o resto a muita gente, usando a velha tática de dividir para reinar: pagando a uns e não pagando a outros…
Em virtude disto, estes trabalhadores convocaram para 22 de Dezembro em Guimarães uma nova concentração de protesto exigindo o pagamento do que lhes é devido.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O NATAL DO CONSUMO


O "Natal do Consumo" (que só o é para quem tem possibilidades de consumir - e geralmente para quem está desempregado, "económicamente fragilisado", etc.,é o  do consumo do que é de pior qualidade) tem  agora uma nova versão: O NATAL DO GAMANÇO LEGAL.   Com ele, governantes, bancos, troika, entram-nos pela casa dentro e gamam-nos o pouco que ainda temos...e até a própria casa! 


Mas o "Natal do Gamanço" tem ainda uma outra vertente: o "NATAL DOS POBRESINHOS", com o qual aqueles que nos roubam e exploram durante o ano inteiro nos oferecem algumas migalhas para que tenhamos a ilusão de que...não nos roubam nada e até são uns tipos e umas tipas porreiras...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012


A repressão não vai parar a nossa revolta!
Secção comunicados, repressão

Face às notícias que têm vindo a público, através das redes sociais e da imprensa, sobre a notificação e constituição como arguidas, pelo Departamento de Investigação e Acção Penal, de várias pessoas que terão participado na manifestação da Greve Geral de 14 de Novembro de 2012 em frente à Assembleia da República, o Núcleo de Lisboa da AIT-SP não pode deixar de manifestar a sua inequívoca solidariedade com os visados por mais esta campanha repressiva.

Através do que tem sido publicado, é possível concluir que as autoridades policiais e judiciais vêm conduzindo uma actividade notória de perseguição ideológica, com referenciação de pessoas que participam em manifestações e recolha de informação sobre as mesmas, destinada a amedrontar quem se recusa a conformar-se com este estado de coisas.

Obviamente, não é com repressão que esta gente, que ganha a vida com a miséria dos outros, vai conseguir parar a nossa revolta. É necessário que nos mantenhamos mobilizados para apoiar quem vier a ser alvo de processos judiciais por participação em manifestações e movimentos sociais. Não estamos sozinhos, nem nas manifestações, nem fora delas.

Solidariedade!

Associação Internacional dos Trabalhadores - Secção Portuguesa
Núcleo de Lisboa

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012


Informe sobre a Plenária da AIT em Modena 23-25 de Novembro e o Centenário da USI-AIT
Secção AIT

Delegados do Brasil, França, Grã-Bretanha, Itália, Noruega, Polónia, Portugal, Sérvia, Eslováquia, e de Espanha como observadores, estiveram presentes em Modena e a Plenária foi excelentemente organizada pela USI-AIT. Sábado à noite celebrou-se o Centenário da USI-AIT com uma manifestação, discursos e vários eventos à noite, uma vez que Modena é o sítio em que foi fundada a USI há cem anos. Tanto a Plenária como o Centenário realizaram-se num espírito de grande companheirismo!

No período decorrido desde a última Plenária da AIT em Varsóvia, no final de Outubro de 2011 até à Plenária de Modena, não houve apenas medidas de austeridade e cortes, mas também uma campanha ideológica contra os trabalhadores. Esta campanha tenta convencer os trabalhadores que a austeridade e a crise é “culpa deles” e não da especulação incansável e da desregulamentação da economia global. A “solução” dos estados e dos capitalistas passa por obrigar os trabalhadores a aceitarem o que eles chamam de “lógica de mercado” e as medidas de austeridade e os ataques são apresentados como necessidades “financeiras” e “leis”.

Os websites das Secções, o website da AIT e o Boletim Externo da AIT mostram que a AIT e as suas Secções e Amigos aumentam dia após dia as mobilizações, a presença, as actividades e as acções directas: nestes onze meses deste a última Plenária tiveram lugar Dias de Acção da AIT contra as medidas de austeridade, contra a exploração e opressão durante 29 a 31 de Março, uma Greve Geral em Espanha no dia 29 de Março e uma Greve Geral em Espanha e Portugal, etc. no dia 14 de Novembro que foram apoiadas pelas Secções, como também muitas outras ações de apoio urgente para conflitos laborais.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


A  ATUALIDADE  DO ANARCO-SINDICALISMO E DA INTERVENÇÃO LABORAL

Correndo muito embora o risco de, no contexto do cenário atual do anarquismo em Portugal, poder ser tomado como uma espécie de “anarco-paleolítico” frente a derivas mais modernaças, pós-modernistas  e pós-industriais do anarquismo, quero no entanto correr esse risco, dado que não será decerto sem os correr que se poderá dar mais algum passo em frente que seja, num tema que há anos me preocupa: a ligação do anarquismo, da/s corrente/s libertária/s  e dos coletivos e pessoas individualmente isoladas que com esses ideais se identificam, ao comum das pessoas mais atingidas (não pontualmente apenas, mas sobretudo estruturalmente) pela atual situação de “crise”, com o seu desfilar de misérias várias ao nível mais elementar –o da sobrevivência material: alimentação, habitação, saúde, etc.) pessoas essas que NÃO SÃO anarquistas mas com quem necessitamos de estabelecer relações de apoio mútuo. Também se pode chamar a isso “recuperação do vetor social do Anarquismo”.


Passando por cima da interpretação mais vulgar (e errónea) entre alguns dos nossos meios libertários/anti-autoritários, que vêm o anarco-sindicalismo como uma espécie de revivalismo balofo do passado, como uma espécie de romantismo para consumo de “velhinhos” e  de alguns mais jovens recém-vindos às nossas lides, ou simplesmente como uma visão desatualizada e falha de uma interpretação mais “realista” dos tempos presentes, começarei simplesmente por dizer, sem qualquer pretensiosismo a ser detentor de qualquer verdade única e acabada , mas talvez com algum azedume devido ao facto de após 20 ou 30 anos de experiências libertárias em Portugal, pouco ou nada, por diversos motivos, haver resultado em termos orgânicos e de alargamento do espetro libertário : ATUALIZEM-SE VOCÊS!...  E  o porquê deste apelo irei tentar explicá-lo de seguida .

Em primeiro lugar direi que nunca nos últimos trinta anos nos deparámos com uma tão grande degradação dos chamados “direitos laborais”, nunca então como agora assistimos à imposição de condições tão graves e miseráveis sobre a maioria dxs que, de fato de macaco, de avental, de bandeja, de computador ou de caneta ou de vassoura na mão , de “jeans” e camisola ou de bata, continuam a depender de um SALÁRIO e do trabalho ASSALARIADO para sobreviver.

CONFERÊNCIA AIT e Anarco -Sindicalismo