domingo, 11 de agosto de 2013

A PROPÓSITO DE BOICOTE E DA GREVE AOS CONSUMOS

Tanto o apelo de  um grupo anónimo do Porto ao BOICOTE ao Minipreço/Dia, em 25 de Julho (como forma de solidariedade com as 4 trabalhadoras injustiçadas pela administração daquela empresa por terem feito a Greve Geral de 27 de Junho), como o apêlo da AIT-SP/SOV-Porto para a GREVE AOS CONSUMOS no dia da Greve Geral, partem de alguns pontos comuns.

Como é sabido, no dia 25 de Julho a AIT-SP no seu conjunto resolveu responder positivamente ao apelo daquele grupo "anónimo" - tal como muita outra gente, inclusive de outras iniciativas libertárias do Porto . A AIT-SP inclusivamente levou  as ideias do protesto, da solidariedade com aquelas trabalhadoras do Minipreço/Dia, e do BOICOTE  àquela empresa , para outras regiões (Lisboa, Setúbal e Algarve )e inclusivamente difundiu internacionalmente o que se passava.

Independentemente de quem  tenha realmente tido a iniciativa e de quem seria (ideológicamente) o tal "grupo anónimo", pautamos como absolutamente JUSTO o apêlo feito à SOLIDARIEDADE ENTRE TRABALHADORAS/ES e CONSUMIDORES e a ideia de que activos ou não, desempregados, reformados,  precários, SOMOS TODOS PARTE DAS CLASSES TRABALHADORAS EXPLORADAS e como tal se brandiu de novo aquele "velho" lema da AIT- Associação INTERNACIONAL dxs Trabalhadoras/es - e que ainda é o nosso como anarco-sindicalistas - de que "UMA OFENSA A UM/A É UMA OFENSA A TODxS" !...

E, contra a "birrinha" de alguns chefetes do sindicato CESP da CGTP que condenaram esta acção, verificámos que ela de facto conseguiu ultrapassar os velhos preconceitos "corporativos" de grande parte dos sindicatos oficiais (cada área laboral por si, os outros que se arranjem...) e pôr pessoas muito diferentes ideológicamente (jovens do B.E e da JCP,  anarco-sindicalistas da AIT-SP e outros libertários, simples consumidores sem qualquer definição ideológica ,... ) numa acção concreta de SOLIDARIEDADE DE CLASSE com as trabalhadoras do Minipreço do Porto alvos de abuso patronal.

Que a direcção do sindicato CESP/CGTP tenha REPUDIADO inicialmente a onda de solidariedade surgida  dxs TRABALHADORES/CONSUMIDORES ( e da qual  veio posteriormente a "desculpar-se" "agradecendo" o apoio a quem se solidarizou...) constitui um facto de menor importância -  ou não hajam, pelo menos no Porto, episódios passados relativamente à direcção daquele sindicato que nada abonam na veracidade no seu afirmado papel  de "defesa dos trabalhadores" do comércio...

Mas, o que é realmente novo agora é que hajam pessoas que REDESCOBRIRAM as armas do BOICOTE e da GREVE AOS CONSUMOS que o ANARCO-SINDICALISMO e o sindicalismo-revolucionário agitam há anos.  E isto  tem tudo a haver com a ideia e apelo que lançámos no Porto na última Greve Geral de 27/6 ( e que obviamente não foi tido em atenção senão por nós próprixs e  por outrxs libertárixs e anti-capitalistas ) de que a única forma de que todxs aqueles que fazem parte daquele MILHÃO E MEIO de trabalhadores desempregadxs e dxs reformadxs  TÊM de fazer greve é justamente A GREVE AOS CONSUMOS, o BOICOTE ao PATRONATO DAS GRANDES E MÉDIAS EMPRESAS - do comércio, da hotelaria, da indústria, dos serviços - que teimam em impor a estratégia da CHANTAGEM ECONÓMICA aos trabalhadores, pressionando-as/os a aceitar condições miseráveis - algumas ainda mais miseráveis e indignas do que a actual legislação laboral pró-patronato - com o terror de ficarem desempregadxs. Daí que possa ser encarado o recurso a esta forma de luta, tanto pelos trabalhadores directamente afectados em casos semelhantes, como pelos trabalhadores-CONSUMIDORES  que com eles se solidarizem.

A exemplo dxs nossxs companheirxs de outras secções da AIT/IWA, como da CNT espanhola, entre outras, ORGANIZEMO-NOS TAMBÉM COMO TRABALHADORES/CONSUMIDORES -que era também o que fazia a antiga CGT portuguesa -  e de que a "Defesa do Consumidor" do sr.Beja Santos e Cia não é senão um arremedo "light" para nos desviar do essencial: A LUTA SOLIDÁRIA CONTRA O PATRONATO DAS GRANDES MULTINACIONAIS DE PRODUTOS E SERVIÇOS e pelos interesses comuns de TRABALHADORES-PRODUTORES e TRABALHADORES-CONSUMIDORES, com ou sem trabalho!

CRIEMOS GRUPOS DE CONSUMO*  nos nossos núcleos locais da AIT-SP  nos bairros e zonas populares!

ORGANIZEMOS AS GREVES AO CONSUMO -E A EXPROPRIAÇÃO COLECTIVA DO QUE NOS FAZ FALTA PARA VIVER!  BOICOTEMOS SOLIDARIAMENTE TODAS AS EMPRESAS QUE NÃO RESPEITAM A DIGNIDADE DE QUEM TRABALHA, aqui ou no resto do mundo!

                   "UMA OFENSA A UM/A DE NÓS É UMA OFENSA A TODAS/OS!"

um membro do SOV-Porto da AIT-SP

*nota:
voltaremos à abordagem deste tema muito em breve

sábado, 10 de agosto de 2013

4 Julho 1937 -ATENTADO CONTRA SALAZAR


Em 1937, 4 de Julho, um grupo de homens decididos, entre eles o anarco-sindicalista, militante da CGT/AIT portuguesa, Emídio Santana, levavam a efeito um atentado ao ditador Salazar. 
Não tendo tido o efeito que se esperava pois a carga colocada num contentor onde o carro do Salazar passava não tinha ficado na posição que deveria, logo o regime fascista levou a efeito uma autêntica caça ao homem, perseguindo, prendendo e torturando a esmo, inclusivamente pessoas que "confessaram" a participação no atentado mas que de facto nada tinham a ver com ele... Emídio Santana haveria de ser preso quando procurava fugir de barco para Inglaterra (a polícia inglesa entregou-o à polícia política salazarista - a então PVDE - "pevide" na gìria popular) e passou 16 anos preso.
Recentemente têm surgido alguma publicações  sobre o assunto - nomeadamente o livro "“1937 – O ATENTADO A SALAZAR”, da autoria de  João Madeira, recentemente apresentado em Grândola pelo núcleo da   AJA de Grândola.

Mas o livro do próprio Emídio Santana, que sobreviveu ao ditador  (tendo falecido em 1988),  ele próprio um dos autores do atentado, continua a ser a memória documental mais viva sobre o acontecimento. Recomendamo-lo e temo-lo à disposição para consulta na Biblioteca da nossa sede no Porto.

PARA QUE A MEMÓRIA LIBERTÁRIA NÃO SEJA NEM APAGADA NEM BRANQUEADA!

(mais informações relativas a este tema podem ser encontradas no blog dos companheiros do Coledctivo Libertário de Évora)

terça-feira, 30 de julho de 2013

Boicote ao Minipreço !




Terrorismo laboral ou terrorismo patronal ?...
Apresentamos em seguida a transcrição da resposta de um companheiro da AIT - Sp /Porto a um comentário postado no http://blog.5dias.net/ (onde aparece, entre outros materiais interessantes, uma descrição bastante completa do que foi o boicote na passada quinta-feira, 25 de Julho, no Porto ao Minipreço da Rua Miguel Bombarda  comentário esse  que alude a um possível "terrorismo laboral" por parte dos trabalhadores !!!???

 "Terrorismo laboral" é:
 - Negar DIREITOS legais aos trabalhadores - e/ou o que (já)não são "direitos legais"  mas reivindicações LEGÍTIMAS dos trabalhadores - e não esqueçamos que se fizéssemos o culto de tudo o que é LEGAL mas NÃO É LEGÍTIMO ...ainda estaríamos no 24 de Abril (ainda que pareça que para lá nos querem encaminhar...);
-Exercer sobre os trabalhadores represálias por utilizarem o seu direito à greve - ou por resistirem a atropelos aos seus direitos por parte das "entidades patronais";
- Negar aos trabalhadores a jornada de trabalho de 8 horas , através do expediente das horas extras - fazendo-os , no interesse exclusivo da administração das empresas trabalhar 10 e mais horas e não as pagando como tal mas sim "compensando-os" com o "banco de horas" quando a administração quiser;
-Negar aos trabalhadores feriados obrigatórios ( como no dia de S.João no Porto) e /ou pagá-los como se dias normais de trabalho se tratassem;

segunda-feira, 15 de julho de 2013

17 de Julho - Concentração no Porto contra o desemprego, o empobrecimento e a exclusão social.


Uma iniciativa da Baladre (Coordenação galega contra o desemprego, o empobrecimento e a exclusão social)


MANIFESTO

A 15 de Março terminou em Bruxelas a primeira fase do “Semestre Europeu 2013”. Nesses encontros avaliaram-se a implementação de medidas acordadas e o ajuste dos estados aos programas de Estabilidade e convergência impostos; e o mais importante, a coordenação das políticas económicas, orçamentais e de emprego dos estados membros para os seis meses seguintes. Mas face às suas avaliações e estratégias, nós temos as nossas próprias.
Não é de esquecer, que a chamada“União Europeia”, é a continuação daquilo que surgiu em 1957 como “Comunidade Económica Europeia”. Constituído no ano de 85 o Mercado Único, a CEE passou a ser a Comunidade Europeia. Oito anos depois, entra em vigor o Tratado de Maastricht, com o qual nascem o Euro e a União Europeia, aprovando-se em 2002 a Agenda de Lisboa com o objetivo de converter a EU em 2010 no espaço do mundo com maior concorrência  económica.
Finalmente, é preciso destacar, no processo que constituiu a EU, o Tratado de Lisboa. Nele se apresentam como principais objetivos a concorrência e o crescimento económico. De acordo com isto, serviços públicos como são os serviços da  saúde, a educação, o fornecimento de água potável, os transportes coletivos, os correios, ou os apoios sociais a pessoas idosas, crianças ou incapacitados, ficam sujeitas às normas da concorrência, com a intenção final de se tornarem  meros negócios mercantis geridos por multinacionais.

sábado, 6 de julho de 2013

        FRAUDE  E PROVOCAÇÃO – ALERTA!!                                            
 Alertados para um convite surgido na net de uma pretensa reunião de um pretenso “Sindicato libertário das artes, comunicação e espetáculos” e de uma pretensa “Federação Anarcosindical pró AIT”, alguns de nós, membros do SOV-Porto da AIT-SP comparecemos cerca das 21 horas de ontem, segunda-feira, 1 de Julho, na morada indicada: Rua da Constituição, 3º ,no Porto, ali a seguir à Praça do Marquês e quase em frente à Rua Visconde de Setúbal, ao lado de uma loja de reparação de materiais informáticos.
Depois de durante cerca de um quarto de hora batermos à porta sem que ninguém atendesse e depois de termos esperado mais um bocado na entrada do prédio, acabámos por saber por uma vizinha que ali era a morada de um senhor já muito conhecido e indesejável por muita gente (e por malíssimos motivos) , aqui no Porto e em Lisboa, chamado Júlio Aires, e que o mesmo fulano estaria na altura em casa pois tinha entrado há pouco tempo, antes de nós chegarmos…

terça-feira, 25 de junho de 2013


Para que a Greve Geral de 27 de Junho seja mesmo geral…
Façamos GREVE aos CONSUMOS !!!

Os filhos da puta que dão pelo nome de “governo”, “Estado” e “patronato” deste canto da Europa no meio da miséria plantado, já mostraram bem que só querem saber das condições de vida do povo quando a revolta popular os pode ameaçar…
Dos “organismos representativos” – sejam eles quais forem- desta “democracia” dos ricos e poderosos pouco mais temos a esperar do que a mudança das moscas sobre a mesma porcaria… É por isso que sempre que há o risco de a própria população se organizar ela própria para a defesa dos seus interesses sociais ameaçados eles enviam para o meio desses movimentos cívicos populares os seus agentes “representativistas” partidários para desmobilizarem o povo, o “controlarem” e, uma vez mais, nos fazerem acreditar que “desta vez, com eles, tudo irá melhorar”!

E não melhora!...A maioria do povo já viu que isso são tudo tretas e que nada de importante muda realmente:  a exploração capitalista, a opressão financeira, os despedimentos, as condições de trabalho miseráveis e indignas, o parasitismo do estado, a corrupção privada ou “pública” continuam .É por isso que algumas manifestações de protesto controladas por movimentos partidários  representativos, já não conseguem animar e mobilizar os mais atingidos pela “crise” e pelas vergonhosas medidas de austeridade.

ENTÃO APARECE AGORA ESTA NOVA “GREVE GERAL”…
de facto todas as razões para que a população trabalhadora ainda com emprego (precário e com condições miseráveis )se recuse a trabalhar nestas condições!
todas as razões para que lutemos para que este governo caia. Mas, como é que, reformados, utentes do RSI, precários, escravos dos sub-empreiteiros poderão realmente tomar parte nesta luta?
Só pode haver uma solução: a greve para de facto ser geral deverá ser também greve aos consumos .