quinta-feira, 20 de março de 2014

A Comuna de Paris


A COMUNA NÃO ESTÁ MORTA!
(La Commune n’est pas morte!)
                                                                                                     
 A Comuna de Paris, proclamada a 18 de Março de 1871 pelo operariado e pelo povo de Paris, frente ao despotismo e corrupção  dos governantes, Napoleão III e Thiers,  conluiados com os então invasores prussianos e o seu chefe Bismarck, após o fim da guerra franco-prussiana de 1870, foi “mais do que a última revolução plebeia ou a primeira revolução proletária (…) uma experiência de auto-instituição, um acontecimento que possui autonomia, não apenas pela sua ousadia, mas pela suas singularidades (…), uma linha divisória dos tempos (…), um antes e um depois absolutamente antagónicos e aparentemente  irreconciliáveis” (extraído do livro “Negras tormentas –o federalismo e o internacionalismo na Comuna de Paris” , de Alexandre Samis).
Muitos dos impulsionadores da Comuna (Varlin, Ferré, Duval, Denise…) eram elementos ativos da AIT-Associação Internacional dos Trabalhadores - entretanto extinta num congresso nos Estados Unidos em 1869 pela fação adepta  de Marx – mas que sempre tinha animado fortemente e de forma libertária a organização do proletariado francês.

Ao contrário das interpretações de Marx após a Comuna de Paris, muito vulgarizadas pela literatura marxista-leninista, a Comuna NÂO FOI a “ditadura do proletariado”, pelo menos no sentido que Marx lhe deu: nem havia nela uma UNICIDADE ideológica como acabou por se passar no desenvolvimento da  revolução russa de 1917  (as tendências existentes entre o operariado e o povo na Comuna eram várias e iam para além dos internacionalistas da AIT) nem se visava criar nenhum exército permanente nem nenhuma máquina estatal. A Comuna de  Paris era o POVO EM ARMAS , organizado de forma FEDERADA , com as suas assembleias escolhendo os diversos delegados para as diferentes tarefas mas REVOGÁVEIS A QUALQUER MOMENTO, não tendo nada a ver com o chamado “centralismo democrático” leninista, nem se buscava com a Comuna criar qualquer forma de estatização dos meios de produção (como se viria a passar nas várias experiências de “socialismo real” ou de capitalismo de Estado) mas sim a sua COLECTIVIZAÇÃO pelos trabalhadores e pelo  povo. O operariado parisiense e francês em geral, estava muito mais influenciado pelas ideias mutualistas de Proudhon e coletivistas de Bakunine do que pelo estatismo “socialista” defendido por Marx.

A Comuna de Paris mesmo que esmagada pela reação burguesa francesa e prussiana, continuou a ser um marco separador entre todas as ideias de “recuperação” do Estado, defendidas por todos os marxistas (à exceção de alguns ditos “conselhistas” – adeptos do sistema de Conselhos da revolução alemã de 1918 e do início da revolução russa) e a ideia anarquista da necessária DESTRUIÇÃO DO ESTADO como forma primeira de destruir o CAPITALISMO.
É interessante hoje, após os nítidos falhanços dos projetos marxistas de instauração do “socialismo” e do “comunismo” através da “conquista do poder” de Estado, para iniciar a destruição do capitalismo,  notar que este apenas saiu mais reforçado com a sua transformação em “capitalismo de Estado” combinado até, como na China ou na Coreia do Norte atuais, com diversas formas de grande capitalismo privado. Estes falhanços históricos, ainda que ainda hoje iludidos em muitos meios operários onde os diversos marxismos leninismos ainda gozam de alguma influência quase “religiosa”, foram  exatamente previstos pelo anarquista Miguel Bakunine, entre os anos 60 e 80 do século 19, há mais de 150 anos.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Antologia poética de Jesús Lizano

SÁBADO, 22 DE MARÇO

17h30 - Apresentação da Antologia poética de Jesús Lizano,
um poeta libertário de Barcelona

por Salvador García

20h - Jantar vegano
Contribuição livre para as despesas mensais do CCL
«Ante esses enganos do poço político, Lizania apresenta-se como terra rebelde, inocente, livre e criativa. E descobre que a espécie humana, se não se auto-destruir, o que bem pode acontecer, deve aspirar a um Mundo Real Poético. Testemunho de que esse mundo é possível vemo-lo em Lizania. E, embora Lizano sucumba no final da viagem, Lizania contudo sobrevive-lhe. Daí que ele possa então reclamar, gritando: ?descobri terra e ela conquistou-me?.»


Centro de Cultura Libertária 
E-mail: ateneu2000@gmail.com
Endereço postal: Apartado 40 / 2800-801 Almada (Portugal)
Sede: Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto - Cacilhas - Almada

terça-feira, 18 de março de 2014

Conferência sobre o Pensamento Libertário

 Na  Faculdade de Ciências Sociais  e Humanas  da UBI no dia  27  de Março de 2014 pelas 10H15




PROGRAMA :

10H15: SESSÃO DE ABERTURA;

10H30: BIBLIOGRAFIA LIBERTÁRIA E CULTURA OPERÁRIA EM PORTUGAL (1890-1936), Eduardo de Sousa, livreiro;

11H00: MIKHAIL BAKUNIN E A CONCEPÇÃO ANARQUISTA DE LIBERDADE, António Baião, bolseiro de investigação do SLHI;

11H30: BIBLIOGRAFIA LIBERTÁRIA DE LÍNGUA PORTUGUESA, Adelaide Gonçalves, docente da Universidade Federal de Ceará.

12H00: Espaço de Debate.

14H00: ESTADO E ANARQUISMO EM PORTUGAL (1890-1934), Diogo Duarte, doutorando da FCSH-UNL;

14H30: TEATRO E ANARQUISMO NO SÉCULO XX PORTUGUÊS, Cláudia Figueiredo, doutoranda da FCSH-UNL;

15H00: APRESENTAÇÃO DA REVISTA “A IDEIA”: 40 ANOS PASSADOS E O FUTURO, António Cândido Franco, docente na Universidade de Évora;

15H30: OS 150 ANOS DA INTERNACIONAL, Paulo Guimarães, docente na Universidade de Évora;

16H00: Espaço de Debate;

16H15: Movimentos de acção e organização militante: AIT/SOV e Colectivo Libertário de Évora;

17H15: Espaço de Debate;

17H30: ENCERRAMENTO DO EVENTO.


Combate à fraude




Concentração junto ao terminal do Metro e Autocarros do Campo Grande (Lisboa), esta quarta-feira, dia 19 de Março, às 18 horas

Abra os olhos e combata a fraude capitalista!
Queremos transportes públicos para todos!
Recentemente, a Carris e o Metro de Lisboa gastaram 9 900€ (*)numa campanha nojenta a apelar a que as pessoas denunciem quem não paga bilhete.
Não somos bufos e não aceitamos que nos venham culpabilizar pela degradação dos transportes “públicos”!
Exigimos respeito!
Exigimos melhores transportes públicos e gratuitos!
Unidos e auto-organizados, nós damos-lhes a crise!
Concentração no Campo Grande, junto ao terminal do metro e autocarros. Apareçam!!!


terça-feira, 11 de março de 2014

Cartoon :

O futuro de Portugal ....






Declaração Internacionalista contra a guerra na Ucrânia

 http://noticiasanarquistas.noblogs.org/
Guerra à guerra!


Nem uma única gota de sangue pela “nação”!
A luta pelo poder entre os clãs oligárquicos na Ucrânia ameaça transformar-se em um conflito armado internacional. O capitalismo russo tenta utilizar a recomposição do poder estatal ucraniano para implementar as suas aspirações imperialistas e expansionistas na Crimeia e no leste da Ucrânia, onde conta com fortes interesses econômicos, financeiros e políticos.
No contexto da iminente crise econômica na Rússia, o regime tenta alimentar o nacionalismo russo para desviar a atenção dos crescentes problemas socioeconômicos da classe trabalhadora: salários e pensões de miséria, desmantelamento dos serviços de saúde existente, assim como da educação e outros serviços sociais. Com a explosão da retórica nacionalista e militante é mais fácil finalizar a construção de um Estado corporativo e autoritário baseado em valores reacionários e em políticas repressivas.
Na Ucrânia, a aguda crise econômica e política levou a uma crescente confrontação entre “velhos” e “novos” clãs oligárquicos. Os primeiros utilizaram inclusive formações ultradireitistas e ultranacionalistas para provocarem um golpe de estado em Kiev. A elite política da Crimeia e do leste da Ucrânia não tem a intenção de partilhar o seu poder e os seus bens com os próximos dirigentes de Kiev, e para isso julgam contar com a ajuda do governo russo. Ambos os lados recorreram a uma crescente histeria nacionalista, respectivamente ucraniana e russa. Tem havido confrontos armados e derramamento de sangue. As potências ocidentais têm os seus próprios interesses e aspirações e as suas intervenções no conflito poderiam levar a uma Terceira Guerra Mundial.
Estes poderosos dos distintos clãs beligerantes querem, como de costume, que nós, pessoas comuns: assalariados, desempregados, estudantes, aposentados, lutemos por seus interesses. Querem nos embebedar com a droga nacionalista, nos colocando uns contra os outros, nos fazendo esquecer as nossas necessidades e interesses reais. Não temos nada que nos preocupar com as suas “nações”, porque temos problemas mais importantes e urgentes: como acabar com este sistema que eles encontraram para nos escravizar e nos oprimir.
Não sucumbiremos a intoxicação nacionalista. Que vão para o inferno com os seus Estados e as suas “nações”, as suas bandeiras e os seus discursos! Esta guerra não é nossa e não devemos participar nela, pagando com o nosso sangue os seus palácios, as suas contas bancárias e o prazer de se sentarem nas fofas cadeiras do poder. E se os senhores em Moscou, Kiev, Lviv, Kharkov, Donetsk e Simferopol começarem esta guerra, o nosso dever é resistir por todos os meios disponíveis!
Não à guerra entre “nações” – Nem paz entre as classes!
KRAS – Seção Russa da Associação Internacional dos Trabalhadores
Internacionalistas da Ucrânia, Rússia, Moldávia, Israel e Lituânia
Federação Anarquista da Moldávia
Fracção dos Socialistas Revolucionários (Ucrânia)
Esta declaração foi apoiada por:
Aliança de Solidariedade Operária (América do Norte)
Internacionalistas dos EUA
Iniciativa Anarco-sindicalista da Romênia
Libertários de Barcelona (Espanha)
A Esquerda Comunista e os Internacionalistas do Equador, Peru, República Dominicana, México, Uruguai e Venezuela
Iniciativa Comunista Operária (França)

Grupo de Leicester da Federação Anarquista (Reino Unido)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014


A Isban-Grupo Santander explora e despede!

A Isban, empresa de serviços informáticos do banco Santander, conta com mais de 10 000 trabalhadores em todo o mundo que lhes são cedidos por ETTs (Empresas de Trabalho Temporário). Desta forma consegue “mão-de-obra” barata e precária, podendo ainda despedir os seus funcionários sem qualquer custo adicional, em especial trabalhadoras que são mães e estrangeiros, bastando para isso comunicar o despedimento a uma dessas ETTs.

Em Espanha foi criada uma secção sindical da CNT (Confederação Nacional do Trabalho) que começou a denunciar a transferência ilegal dos trabalhadores, os despedimentos massivos, a precariedade absoluta e as horas extra obrigatórias, mas apenas duas semanas depois o delegado sindical foi despedido em retaliação pela actividade sindical desenvolvida!

A Isban-Grupo Santander e as ETTs envolvidas neste negócio desprezível de subcontratação que rende milhões pretendem impedir que os trabalhadores se organizem para lutar pelos seus direitos, despedindo e reprimindo qualquer acto de contestação.

Para denunciar a atitude criminosa desta multinacional, foi convocado para 6 de Março um dia de acção internacional contra o Grupo Santander, parte de uma luta que dura há meses e que só terminará com a vitória dos trabalhadores.

Sejamos solidários com esta luta pois apenas a solidariedade e o apoio mútuo entre os trabalhadores de todo o mundo poderão fazer frente à exploração de que todos somos alvo.


                                         Readmissão imediata do companheiro despedido!






                      Associação Internacional dos Trabalhadores  Secção Portuguesa