sexta-feira, 24 de abril de 2015

O NOSSO 25 DE ABRIL – ONTEM…

O nosso 25 de Abril de 1974, aquele que sempre nos tocará no coração e na mente, foi sobretudo:
-a ocupação das empresas pelos trabalhadores ameaçados pelo patronato de fuga de capitais e equipamento;
-a ocupação das casas e bairros vazios pelos moradores de barracas e casebres em  ruínas;
-a ocupação das grandes propriedades rurais pelos trabalhadores sem-terra;
-a união e apoio prático do MFA - de alguns regimentos pelo menos - às lutas operárias e populares;
-o encontro e discussão livre entre todos, nas ruas e praças;
-a mobilização e a organização popular, em assembleias e comissões de trabalhadores e assembleias e comissões de moradores - e nas barricadas contra as duas intentonas de regresso do fascismo (28  de Set. e 11 de Março de 75) ;
-a luta pelo fim das guerras coloniais e pelo regresso dos soldados – e organização dos próprios soldados contra o autoritarismo e regulamentos abusivos nos quartéis;
-a luta pelo desmantelamento da PIDE e da Legião e a caça aos seus esbirros
… e tantas outras iniciativas que durante o chamado PREC (Processo Revolucionário em Curso), tão denegrido hoje pelos actuais herdeiros do  antigamente, marcaram ainda os vários anos que se seguiram.

Esta autêntica festa da LIBERDADE popular, tentada enterrar em nome  da “democracia” (do “representativismo”) após o golpe “normalizador” do 25 de Novembro de 1975, foi aquilo que se aproximou mais do que poderia ter sido uma autêntica REVOLUÇÃO SOCIAL libertadora, por uma sociedade autogestionada, contra o Estado e o Capital.

Em todo este processo, também o que restava dos libertários e anarco-sindicalistas, duramente reprimidos, assassinados, presos, deportados, pela ditadura, sobretudo depois da resistência dos anos 30, participou, nomeadamente no movimento de moradores e cooperativo, conseguindo também, durante vários anos manter vários jornais e publicações (“Batalha”, “Voz Anarquista”, “Acção Directa” – entre outras).

…E HOJE
Hoje, mais de 40 anos passados, temos:
-os salários mais baixos da Europa – mantidos pelos governantes como forma de atrair investimentos estrangeiros…
-a pior “segurança social” na Europa – com a constante redução de medidas de apoio social, de serviços e de pessoal;
-a corrupção dos políticos, governantes e grandes gestores e empresários , só comparável  à da máfia italiana;
-“austeridade” e“cortes” nos direitos sociais e laborais – pelas dívidas contraídas em nosso nome pelo governantes – reservando para a maioria da população os tais “cortes” e “austeridades” mas mantendo os privilégios e luxos para governantes, patronato e gestores;
-educação e ensino em situação de caos, nomeadamente pela barafunda que o governo tem originado com os cortes nos direitos laborais e nos efectivos dos  professores;
-o aumento da pobreza e da miséria, em consequência do desemprego alargado e da precariedade laboral;
…Em suma : o AUMENTO DAS DESIGUALDADES SOCIAIS – inclusivamente entre REPRESENTANTES e REPRESENTADOS.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A propósito da GRÉCIA …
                        
PARA ALÉM DO DESESPERO:  A INDIGNAÇÃO, A REVOLTA E A AUTO-ORGANIZAÇÃO POPULAR   (o papel do ANARQUISMO e do ANARCO-SINDICALISMO)

As dívidas que os governos e o Estado português contraíram em nome do povo – mesmo daquela parte que não votou em nenhum deles – serviram e continuam a servir  sobretudo para salvar da “crise” os BANCOS que a criaram e para garantir a continuação dos privilégios, luxos e  tachos para governantes, políticos profissionais e demais “representantes” .
 E o que tem a grande maioria da população?... Tem mais POBREZA, mais DESEMPREGO, menos DIREITOS, PIOR SAÚDE, PIOR “SEGURANÇA SOCIAL”, mais (IN)”Justiça”, MAIS CORTES nos “apoios sociais”( subsídios de desemprego, reformas, RSI, e os salários mais baixos da Europa…
 E o que têm tido as cáfilas de governantes, de candidatos a governos, de “secretários de Estado” a diretores dos vários serviços do Estado e grandes gestores privados, de presidentes da república a presidentes de várias instituições privadas e “públicas”?... A ESSES NÃO CHEGA A AUSTERIDADE nem reduções nas suas contas bancárias chorudas, nos bancos daqui …ou da Suíça…

Perante estas atuais e bem visíveis DESIGUALDADES aqui, o facto de na Grécia um pequeno partido como o Syriza - que acabou por ser votado pela grande maioria do povo grego - se propor dar a volta ao texto na situação das “dívidas” do Estado grego ao FMI, ao Banco europeu e às imposições da 1ª ministra alemã Merkel, não pode deixar de gerar a nossa simpatia pelo povo grego .
E pelo governo do Syriza?...  Nisto não deveremos esquecer que na origem da vitória do Syriza está sobretudo, o grande movimento popular –social, laboral, ecológico -  que nos últimos 10 anos não tem parado de se desenvolver nos bairros populares, em locais de trabalho (incluindo HOSPITAIS, alguns deles AUTOGERIDOS e com apoio ativo de anarquistas gregos). Podemos dizer que o voto no Syriza pela maioria da população grega explorada e farta da “austeridade” imposta pela Troika e pelos vários governos,  foi uma última aposta em políticos “representativos” mas que ousaram ir além dos anteriores e se apoiaram nas aspirações de todo um movimento popular de base. O que se seguirá …a ver vamos!

E  EM PORTUGAL?...
Aqui, nem existe o Syriza, nem o BE é o Syriza – nem sequer o “Podemos” espanhol – nem há QUALQUER PARTIDO que possa desempenhar aquele papel… No fundo o medo dos governantes como Passos Coelho, Portas, Cavaco e outros é que aquilo que serviu de base ao Syriza – o forte movimento popular de base – se venha a reproduzir por “contágio” também aqui!...
E mais do que qualquer partido ou partidinho o que falta aqui é exatamente ACÇÃO E (auto-)ORGANIZAÇÃO POPULAR, iniciativas dos próprios atingidos pelas “austeridades” – trabalhadores, desempregados, utentes da segurança social, moradores pobres – que possam constituir um verdadeiro CONTRA-PODER a opor às medidas antipopulares do atual e de qualquer governo .
Para isso é importante que as pessoas mais atingidas pelos problemas se juntem, no seu bairro, no seu lugar de trabalho, na sua associação, que promovam assembleias populares locais onde se DISCUTA e DECIDA o que podemos fazer ao nível local, regional, nacional (e até internacional) para mudar a atual  situação de miséria, “austeridade” e  mafiozice dos senhores do poder económico e político. E às vezes, tudo isto começa por três ou quatro pessoas que já tenham percebido que é a ACÇÃO DIRETA E AUTO-ORGANIZAÇÃO POPULAR e que decidam tornar-se ativas e ajudar as demais a sê-lo também. A solução não está EM QUALQUER PARTIDO que apareça por aí numa manhã de nevoeiro, armado em “salvador do povo”… Não é isso que 40 anos de REPRESENTOCRACIA nos mostram? Apenas mudam as moscas!...

Aqui, a responsabilidade de quem se sinta identificado com as ideias anarquistas e anarco-sindicalistas poderá ser grande, agindo como animadoras e catalisadoras deste necessário movimento popular e laboral.  Dizer, como o diziam alguns, nas movimentações de 2012, que a DEMOCRACIA DIRETA  das assembleias populares que surgiam na altura era “complementada” pela “democracia representativa” parlamentar dos vários partidos, foi e continua a ser apenas uma forma de SABOTAR E IMPEDIR a DEMOCRACIA DIRETA entregando aos nossos pretensos “representantes” a resolução dos vários problemas sociais - que só poderão ser os próprios atingidos, auto-organizados, a enfrentar com algum êxito!

Por isso é importante INFORMARMO-NOS do que tem sido o movimento popular grego de inspiração libertária nos últimos anos – bem como recordarmos e  passar às novas gerações a informação do que foi realmente o tão caluniado PREC (Processo revolucionário em curso) aqui em 1974 e 1975. A História não se repete,  mas dela podemos tirar lições para as lutas de hoje!

UNIDOS e AUTO-ORGANIZADOS NÓS DAMOS-LHE$ A CRISE!   SOLIDARIEDADE ACTIVA COM AS LUTAS DO POVO GREGO!

   S.O.V.-Sindicato de Ofícios Vários- PORTO /AIT.SP
Fev. 2015

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Não deixemos apagar a memória revolucionária e libertária do Porto












Contratos de Empregabilidade e Inserção

Eis um novo nome para trabalhos forçados e uma nova forma do Estado promover a precariedade dentro e fora dele. Contratos que não são de empregabilidade, porque não te garantem emprego, nem são de inserção, porque apenas és inserido na escravatura contemporânea.

Esta forma de terrorismo laboral serve para camuflar a verdadeira estatística do desemprego (tal como os cursos de formação e a emigração), para fomentar a desregulamentação laboral (tanto em salário, como em horário, vínculo e direitos), incentiva a desmotivação e a marginalização e não satisfaz as necessidades das pessoas.

Herdeira do ex-programa ocupacional de emprego (POC), ofende a dignidade dos trabalhadores chantageados pelo centro de (des)emprego que desempenham funções permanentes (ilegalmente) em autarquias, instituições estatais, entidades de “solidariedade” social (IPSS), em áreas como a saúde, escolas, segurança social (vão agora substituir 700 empregados), centros de dia, recolha de lixo, etc., e até na ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho). Por vezes são gozados pela entidade empregadora quando lhes dão expectativas de um contrato, o que é sempre uma farsa e pode criar quebras emocionais.

É um exército de voluntários à força para diminuir o poder reivindicativo e para aumentar o lucro não só do capitalismo de mercado, mas também do Estado.

Há cerca de 100 mil pessoas nesta situação ultrajante e ignóbil que não têm os mesmos direitos (de contrato, retribuição e protecção a acidentes/doenças profissionais...) do que outros assalariados com quem trabalham ombro a ombro, o que vai provocar atritos e divisões, em benefício de quem os explora a todos (“dividir para reinar”).

Não somos colaboradores, como agora nos chamam, não colaboramos com esta tortura social, a par com os estágios, as máfias das E.T.T. (empresas de terrorismo temporário), etc., mas o que podemos fazer além de denunciar este crime? Propomos que nunca se deixe de lutar quotidianamente, que nos auto-organizemos por locais ou empresas e usemos as tácticas eficazes da sabotagem, várias formas de greve (de zelo, por exemplo), solidariedade e acção directa, que há uma centena de anos atrás levaram à conquista de melhores condições de trabalho e de vida.

28/01/2015


Publicado por AIT-SP Núcleo de Lisboa

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

CONTRA  a PRIVATIZAÇÃO da SEGURANÇA SOCIAL e CONTRA os DESPEDIMENTOS DOS TRABALHADORES

20 de Janeiro - 12.30  : Concentração em frente aos Serviços de atendimento da Segurança Social  na Rua do Rosário 159- Porto