O NOSSO 25 DE ABRIL – ONTEM…
O nosso 25 de Abril de 1974, aquele que sempre
nos tocará no coração e na mente, foi sobretudo:
-a ocupação das
empresas pelos trabalhadores ameaçados pelo patronato de fuga de capitais e
equipamento;
-a ocupação das
casas e bairros vazios pelos moradores de barracas e casebres em ruínas;
-a ocupação das
grandes propriedades rurais pelos trabalhadores sem-terra;
-a união e apoio
prático do MFA - de alguns regimentos pelo menos - às lutas operárias e
populares;
-o encontro e discussão
livre entre todos, nas ruas e praças;
-a mobilização e
a organização popular, em assembleias e comissões de trabalhadores e
assembleias e comissões de moradores - e nas barricadas contra as duas
intentonas de regresso do fascismo (28
de Set. e 11 de Março de 75) ;
-a luta pelo fim
das guerras coloniais e pelo regresso dos soldados – e organização dos próprios
soldados contra o autoritarismo e regulamentos abusivos nos quartéis;
-a luta pelo
desmantelamento da PIDE e da Legião e a caça aos seus esbirros
… e tantas
outras iniciativas que durante o chamado PREC (Processo Revolucionário em Curso),
tão denegrido hoje pelos actuais herdeiros do
antigamente, marcaram ainda os vários anos que se seguiram.
Esta autêntica
festa da LIBERDADE popular, tentada enterrar em nome da “democracia” (do “representativismo”) após
o golpe “normalizador” do 25 de Novembro de 1975, foi aquilo que se aproximou
mais do que poderia ter sido uma autêntica REVOLUÇÃO SOCIAL libertadora, por
uma sociedade autogestionada, contra o Estado e o Capital.
Em todo este
processo, também o que restava dos libertários e anarco-sindicalistas,
duramente reprimidos, assassinados, presos, deportados, pela ditadura,
sobretudo depois da resistência dos anos 30, participou, nomeadamente no movimento
de moradores e cooperativo, conseguindo também, durante vários anos manter
vários jornais e publicações (“Batalha”, “Voz Anarquista”, “Acção Directa” –
entre outras).
…E HOJE
Hoje, mais de 40 anos passados, temos:
-os salários mais baixos da Europa –
mantidos pelos governantes como forma de atrair investimentos estrangeiros…
-a pior
“segurança social” na Europa – com a constante redução de medidas de apoio
social, de serviços e de pessoal;
-a corrupção dos políticos, governantes e
grandes gestores e empresários , só comparável à da máfia italiana;
-“austeridade”
e“cortes” nos direitos sociais e laborais – pelas dívidas contraídas em nosso
nome pelo governantes – reservando para a maioria da população os tais “cortes”
e “austeridades” mas mantendo os privilégios e luxos para governantes,
patronato e gestores;
-educação e
ensino em situação de caos, nomeadamente pela barafunda que o governo tem
originado com os cortes nos direitos laborais e nos efectivos dos professores;
-o aumento da
pobreza e da miséria, em consequência do desemprego alargado e da precariedade
laboral;
…Em suma : o
AUMENTO DAS DESIGUALDADES SOCIAIS – inclusivamente entre REPRESENTANTES e
REPRESENTADOS.



