O LOCK OUT E AS « INSOLVÊNCIAS – ESSA ARMA DOS PATRÕES
Algumas pessoas só sabem “condenar” os trabalhadores por fazerem greves. Mas ignoram ou fingem ignorar , o facto de nos últimos anos muitos patrões terem eles, isso sim, recorrido a “lock-outs“ – essas « greves » dos patrões, encerrando as empresas a pretexto da « crise » - que tem sempre as costas largas !- e recorrendo à « insolvência » e ao « lay-off » como forma de o Estado, através do Ministério do Trabalho, nomear um gestor provisório, arcando então apenas muito parcialmente com as dívidas aos trabalhadores e aos credores da empresa, ficando a Segurança Social de financiar o resto…Foi isto que se passou em 2012 na agora só parcialmente recuperada Cerãmica de Valadares e em tantas outras empresas que declararam a insolvência… Algumas delas, como é sabido, fechando num local, para abrirem logo de seguida, noutro, com outro nome…Mas claro, tudo isto muito « legal »- porque hoje, cada vez mais as « leis » estão do lado do$ de sempre…
SITUAÇÃO LABORAL NA SOCITREL –São Romão do Coronado
QUERER TRABALHAR E NÃO PODER… Situação da SOCITREL durante 8 meses
Recentemente 150 operários e outros trabalhadores e trabalhadoras da fábrica SOCITREL (Sociedade Industrial de Trefilaria, SA ) , em São Romão do Coronado (Trofa) estiveram dois meses, Março e Abril, sem receber os seus salários. Só agora, no passado 15 de Maio, os começaram a receber. Entretanto a maioria dos operários da fábrica - que continua com a produção parada pela administração desde Setembro passado- decidiram então concentrar-se diáriamente na entrada da fábrica, esperando uma resolução da situação.
DESIGUALDADES GRITANTES E GASTOS À TRIPA-FÓRRA DA ADMINISTRAÇÃO…
Nesta empresa a desigualdade entre a situação dos trabalhadores –com salários médios de cerca de 600 € mensais- e a dos administradores e chefias – por ex.o, o director financeiro que entrou para a empresa a ganhar 2.000 € e ultimamente com 6.000 € mensais e estando a maioria dos chefes com ordenados de cerca de 1.300 € - tem sido gritante. A maioria não têm aumentos salariais desde há dois anos nem nunca receberam diuturnidades, mesmo os que estão há mais de 20 e 30 anos na empresa. Mas, quando houve aumentos, também aí a desigualdade foi extrema, sendo eles de cerca de 2% para a maioria dos trabalhadores e de 10 e 20% para administradores e chefias!
Muitos apontam também para os luxos dos administradores em contraste com a “austeridade” dos trabalhadores: telemóveis e frota automóvel “topo de gama” (Audios, Passapes,…) , com tudo o mais à conta da empresa -combustível, seguros, manutenção…
Tendo a empresa um passivo de cerca de 80 milhões de euros, o então diretor geral, Francisco Simões, declarou recentemente a um jornal que a laboração seria “retomada em Junho”…



